La Vuelta a España 2025: a última grande volta da temporada

La Vuelta a España 2025: a última grande volta da temporada

Quando a Vuelta a España completar sua 80ª edição, entre 23 de agosto e 14 de setembro de 2025, não será apenas mais uma grande volta, será uma celebração de 90 anos de história, desde a primeira largada em 29 de abril de 1935. Nessa ocasião, um belga chamado Gustaaf Deloor cruzou a linha de chegada como o primeiro vencedor, iniciando uma saga que, apesar de a Guerra Civil e a Segunda Guerra Mundial terem interrompido por alguns anos sua sequência, agora se consagra como um símbolo do ciclismo com respaldo global.

O percurso da Vuelta 2025
O último Grand Tour de 2025: a Vuelta a España começa em Turim e a chegada final, como de costume, será em Madrid. No total, serão 21 etapas distribuídas em 3 semanas, incluindo etapas planas e rápidas, perfeitas para os velocistas, chegadas em montanha íngremes, verdadeiras rampas desumanas, com destaque para finais em Covadonga e no icônico Angliru, e contrarrelógio individual, que pode mexer bastante na classificação geral.

As etapas que você já vai marcar no radar:

  • Etapa 1 (23 ago) – Torino a Novara (~183 km): tripé inicial na Itália, plano com chance para sprinters.
  • Etapa 2 (24 ago) – Alba a Limone Piemonte (~157 km): primeiro sopro de montanha, chegada técnica pesada que já começa a separar os gregários dos líderes.
  • Etapa 3 – San Maurizio Canavese a Ceres: terreno sinuoso com subida categorizada antes da linha final, ideal para ver quem tem fôlego de escalada desde o início.
  • Etapa 5 – Figueres contra-relógio por equipes (~20 km): proposta estratégica elevada com grandes impactos na geral.
  • Etapas 6 e 7 – escaladas exigentes em Andorra, com final em Pal e depois para Cerler, onde a montanha começa a falar sério.
  • Etapa 9 – Alfaro a Valdezcaray (~195 km): chegada técnica em estação de esqui, com final nervoso que ainda deixa o microfone ligado no suspense.
  • Etapa 10 – Sendaviva a Larra-Belagua: subida final em alta altitude após terreno ondulado — fácil não vai bater.
  • Etapa 11 – Bilbao circuito duro: sobe, desce, sobe de novo. Clássico para ciclistas explosivos e atentos às brechas.
  • Etapa 13 – Cabezón de la Sal ao mítico Angliru (~202 km): muros de até 24%, a subida mais recordada da Vuelta, palco quase clássico de gigantes ( será que dá para fazer cobrinha).
  • Etapa 14 – Avilés a La Farrapona (~136 km): segue a sequência dura na Astúrias.
  • Etapa 17 – O Barco de Valdeorras até El Morredero, com subida longa e irregular — estratégia e paciência serão cruciais.
  • Etapa 18 – Valladolid contra-relógio individual (~26 km): quem não é contra-relogista treme um pouco — pode virar o jogo geral.
  • Etapa 20 – Robledo de Chavela à Bola del Mundo: ascensão final brutal com 3,2 km a quase 12,2% — redenção ou tragédia definem quem veste o vermelho.
  • Etapa 21 – Madrid (~111 km): o tradicional final em circuito, festa de pelotão, sprint e coroar o vencedor; a coroação começa antes, mas o buquê é entregue aqui.

A Vuelta 2025 promete um percurso equilibrado: terreno para escaladores brilharem, mas sem deixar os contrarrelogistas e velocistas de fora do jogo.

Premiação
A Volta a Espanha distribui uma premiação total de aproximadamente 1,1 milhão de euros. O campeão geral leva cerca de 150 mil euros, além de bônus por vitórias de etapa, camisa de líder e outros prêmios. E, claro, o maior ganho é simbólico: entrar para a história de uma das maiores competições do ciclismo mundial.

  • Geral: 1º leva €150.000, 2º €57.985, 3º €30.000, até o 20º colocado.
  • Etapas: €11.000 para o vencedor, até €360 para os que chegarem na moral.
  • Extras: quem veste camisas recebe prêmios diários (como €500/dia como líder do pelotão).

Equipes, atletas e favoritos ao título em 2025

Sepp Kuss e Jonas Vingegaard da Visma Lease a Bike – Imagem: Cor Vos


Em 2025, são 23 equipes confirmadas e mais de 184 ciclistas no pelotão. Como sempre, as 18 formações do WorldTour estarão presentes, acompanhadas por 5 convidadas UCI ProTeams, garantindo diversidade e oportunidade para jovens talentos espanhóis.

Com a confirmação de que Tadej Pogačar, Primož Roglič e Remco Evenepoel não disputarão a Vuelta este ano, o favoritismo abre espaço para outros nomes fortes do pelotão.

Entre os principais candidatos estão Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), vice no Tour, que chega com equipe forte e cabeça focada na vitória; João Almeida e Juan Ayuso (UAE Team Emirates-XRG), dupla nova geração com fome de glória e talento comprovado; além de Ben O’Connor, Jai Hindley, Egan Bernal, Giulio Ciccone e Mikel Landa, que prometem incomodar os favoritos.

Confira abaixo as equipes escaladas:

Alpecin-Deceuninck: Jasper Philipsen, Tobias Bayer, Ramses Debruyne, Gal Glivar, Edward Planckaert, Jonas Rickaert, Oscar Riesebeek, Luca Vergallito.

Arkéa B&B Hotels: Cristian Rodríguez, Jenthe Biermans, Raúl García Pierna, Victor Guernalec, Léandre Lozouet, Louis Rouland, Pierre Thierry, Alessandro Verre.

Astana XDS: Lorenzo Fortunato, Nicola Conci, Sergio Higuita, Harold Martín López, Fausto Masnada, Wout Poels, Harold Tejada, Nicolas Vinokourov.

Bahrain-Victorious: Antonio Tiberi, Santiago Buitrago, Nicolò Buratti, Damiano Caruso, Roman Ermakov, Jack Haig, Mathijs Paasschens, Torstein Traaen.

Burgos Burpellet BH: Eric Fagúndez, Mario Aparicio, Daniel Cavia, Sergio Chumil, Hugo de la Calle, José Luis Faura, Sinuhé Fernández, Carlos García Pierna. (UCI Pro Team)

Caja Rural – Seguros RGA: Abel Balderstone, Fernando Barceló, Joan Bou, Jaume Guardeño, Alex Molenaar, Joel Nicolau, Jakub Otruba, Thomas Silva. (UCI Pro Team)

Cofidis: Emanuel Buchmann, Stanislaw Aniolkowski, Simon Carr, Bryan Coquard, Jesús Herrada, Oliver Knight, Paul Ourselin, Sergio Samitier

Decathlon AG2R La Mondiale: Felix Gall, Bruno Armirail, Leo Bisiaux, Sander de Pestel, Jordan Labrosse, Nans Peters, Callum Scotson, Johannes Staune-Mittet

EF Education – Easypost: Esteban Chaves, Markel Beloki, Madis Mihkels, Lukas Nerurkar, Sean Quinn, Archie Ryan, James Shaw, Jardi Van der Lee.

Groupama-FDJ: Guillaume Martin-Guyonet, Clément Braz, Rémi Cavagna, David Gaudu, Thibaud Gruel, Stefan Küng, Rudy Molard, Brieuc Rolland.

Ineos Grenadiers: Egan Bernal, Filippo Ganna, Lucas Hamilton, Bob Jungels, Michal Kwiatkowski, Victor Langelotti, Brandon Rivera, Magnus Sheffield


Intermarché-Wanty: Louis Meintjes, Huub Artz, Kamiel Bonneu, Dries de Pooter, Arne Marit, Simone Petilli, Dion Smith, Luca Van Boven.

Israel – Premier Tech: Matthew Riccitello, George Bennett, Pier-André Côté, Jan Hirt, Marco Frigo, Jake Stewart, Nadav Raisberg, Ethan Vernon. (UCI Pro Team)

Jayco-AlUla: Ben O’Connor, Koen Bouwman, Eddie Dunbar, Anders Foldager, Patrick Gamper, Chris Harper, Chris Juul-Jensen, Kell O’Brien.

Lidl-Trek: Giulio Ciccone, Andrea Bagioli, Julien Bernard, Amanuel Ghebreigzabhier, Daan Hoole, Soren Kragh Andersen, Mads Pedersen, Carlos Verona.

Lotto: Eduardo Sepúlveda, Jasper de Buyst, Lars Craps, Jonas Gregaard Wilsly, Arjen Livyns, Alec Segaert, Liam Slock, Elia Viviani. (UCI Pro Team)

Movistar: Pablo Castrillo, Jorge Arcas, Orluis Aular, Carlos Canal, Jefferson Cepeda, Iván García Cortina, Michel Hessmann, Javier Romo.

Picnic PostNL: Gijs Leemreize, Patrick Eddy, Chris Hamilton, Bjron Koerdt, Juan Guillermo Martínez, Timo Roosen, Casper Van Uden, Kevin Vermaerke.

Q36.5: Tom Pidcock, Xabier Mikel Azparren, Marcel Camprubí, Fabio Christen, David de la Cruz, David González, Damien Howson e Nick Zukowsky. (UCI Pro Team)

Red Bull Bora-Hansgrohe: Giulio Pellizzari, Giovanni Aleotti, Nico Denz, Finn Fisher-Black, Jai Hindley, Jonas Koch, Matteo Sobrero e Tim Van Dijke.

Soudal Quick-Step: Mikel Landa, Gianmarco Garofoli, Junior Lecerf, Valentin Paret-Peintre, Pepijn Reinderrink, Maximilian Schachmann, Mauri Vansevenant, Louis Vervaeke.

UAE Emirates XRG: João Almeida, Juan Ayuso, Mikkel Bjerg, Felix Grossschartner, Domen Novak, Ivo Oliveira, Marc Soler e Jay Vine.

Visma – Lease a Bike: Jonas Vingegaard, Victor Campenaerts, Matteo Jorgenson, Wilco Kelderman, Sepp Kuss, Ben Tulett, Dylan Van Baarle, Axel Zingle.


As camisas da Vuelta

Camisa verde – Carapaz e Camisa Rojo – Roglic | Imagem: Cor Vos

Assim como no Tour e no Giro, a Vuelta também tem suas camisas icônicas, cada uma com um significado especial:

  • Camisa Vermelha (Rojo) – líder da classificação geral.
  • Camisa Verde – líder por pontos (velocistas), mais consistente, geralmente sprinters ou puncheurs.
  • Camisa de Bolinhas (branca com bolinhas azuis) – rei da montanha quem passa nas subidas com mais pontos.
  • Camisa Branca – melhor jovem (menos de 25 anos) na geral.

Essas camisas contam uma história dentro da corrida, e muitas vezes a disputa entre elas é tão emocionante quanto a briga pelo título.

Os maiores vencedores da história
A Vuelta tem nomes eternizados como Roberto Heras (ESP) com 4 títulos, Primož Roglič (SLO) também com 4, Tony Rominger (SUI) e Alberto Contador (ESP) com três vitórias cada, Delio Rodríguez com 39 vitórias em etapas, e Freddy Maertens, que em 1977 venceu 13 etapas — recordes que permanecem impressionantes até hoje.

Nos últimos anos, a corrida tem servido como palco de ascensão de jovens estrelas, que chegam muitas vezes após um Giro ou Tour desgastante, mas encontram na Vuelta a chance de brilhar.

Curiosidades
Nas últimas décadas, a Vuelta revelou novos campeões que depois brilharam também no Giro e no Tour, como Nairo Quintana, Chris Froome e Remco Evenepoel.

O público é outro destaque: nas montanhas, especialmente no Angliru e nos Pirineus, torcedores transformam as subidas em corredores humanos de incentivo e emoção. Em uma edição recente, a saída foi de dentro de um supermercado Carrefour, com ciclistas passando por caixas registradoras e escadas rolantes antes de desembarcarem na estrada, uma cena surreal e comentada como “um dos começos mais criativos do ciclismo moderno”.

Na primeira edição, Gustaaf Deloor levou para casa 15.000 pesetas, uma quantia gigantesca se comparada à média salarial da época, de apenas 1.680 pesetas anuais. Ao longo das décadas, as camisas da Vuelta mudaram de cor: já foram laranja, branca e até com faixa vermelha, até se consolidar no famoso maillot rojo.

O título de 1984 foi decidido por apenas seis segundos, enquanto em 1945 a diferença foi de impressionantes 30 minutos e 8 segundos. O Angliru, com inclinações de até 23,5%, é famoso por arrancar suspiros, e em 2013 Chris Horner entrou para a história como vencedor mais velho de uma grande volta, aos 41 anos.

Onde assistir no Brasil?
No Brasil, a transmissão será exclusiva da ESPN 3 e do Star+, mostrando todas as etapas ao vivo a partir das 9h45 (horário de Brasília). Também pode ser acompanhado pela Sky+ e pelo app DSports. A cobertura geralmente inclui comentários técnicos, análises pré e pós-etapa e os melhores momentos, garantindo que dá para acompanhar toda a emoção, seja no sofá ou no celular.

Por que a Vuelta é especial?
Muitos a consideram a mais “explosiva” das grandes voltas. Se o Tour é a mais prestigiada e o Giro a mais romântica, a Vuelta é a corrida onde os ciclistas atacam sem medo. É a última chance do ano para salvar a temporada, mostrar força e conquistar glória.

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